percepção de que algo havia mudado

A ajuda da família e de profissionais é fundamental para a pessoa que sofreu uma lesão no cérebro conseguir retomar/iniciar algumas atividades que permitam a se inserir novamente na sociedade. Sem este trabalho em conjunto tudo fica difícil e a pessoa que sofreu a lesão pode ter muitos problemas tanto no âmbito escolar/profissional quanto no emocional. Segue abaixo algumas opiniões:

Fernanda:

Em casa, mesmo com muita medicação, sentia dores terríveis por todo o corpo, não conseguia dormir nem comer bem, só chorava… Demorei a perceber dificuldades de linguagem, memória, atenção, leitura… Como meus pais tinham perdido a filha e o genro e eu ainda com dores insuportáveis, usando fraldas, muito dependente pra tudo, as minhas dificuldades cognitivas não foram percebidas por mim nem por minha família. A dor da perda era muito grande…

Depois de alguns meses, algumas amigas fonoaudiólogas me visitaram e me alertaram com relação à atenção e memória, pois eu repetia as conversas. Depois de negar isso um tempo, decidi ir pra S.P. fazer uma avaliação fonoaudiológica com uma ex professora minha da EPM e foi quando fiquei muito assustada ao perceber o quanto estava difícil e às vezes impossível fazer coisas que antes pra mim eram bem simples.

Além da intensa fisioterapia pulmonar e exercícios para voltar a andar e movimentar o braço esquerdo que eu já fazia desde a saída do hospital, iniciei em outubro de 2007 reabilitação fonoaudiológica e neuropsicológica, além de acompanhamento psicológico, entre outros. Desde o início usei anti-depressivos  que ajudaram a regularizar  melhor meu sono, humor, apetite, etc. Com muita ajuda da minha família (essencial para toda minha recuperação), amigos e profissionais, tive grandes  e notáveis melhoras, sempre muito comemoradas por todos ao meu redor.  Porém, ainda permaneço com dificuldade principalmente de atenção, concentração e memória. Não tenho raciocínio rápido, leio com um pouco de lentidão, além de trocar algumas letras e números, mesmo lendo várias vezes. Meu raciocínio parece entrecortado…Fiquei também com grande labilidade de humor e alteração de sono. Me sinto extremamente cansada com qualquer atividade que exija mais atenção e concentração.

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R.I.

– Meu humor permanecia diferente. Eu, que já era irritado e impulsivo, estava mais ainda após o acidente, e eu me mostrava desatento para tudo. Pensava que fosse porque eu não via importância no que confiavam a mim; ao me deparar frente a um problema real, claro que eu conseguiria me sair bem (conseguiria o mesmo desempenho de antes).

Os problemas ganharam peso com o o retorno à vida acadêmica, e eu não consegui o mesmo desempenho de antes; vi o quanto de energia eu precisava gastar mais que meus colegas. O fato se confirmou com minha avaliação neuropsicológica. Minha atenção carecia uma maior atenção.

É o que consigo nas terapias com a neuropsicóloga.

– Aprendi a me organizar e a me planejar (coisas que antes para mim eram naturais) usando uma estratégia aprendida no CPN que é usar uma agenda semanal. Sem a minha agenda, tudo fica muito difícil. Com o uso dela, consigo ter uma noção de atividades que devo fazer na semana e no mês e assim me organizar. Isso me traz segurança.

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Sonia:

Devido a todos esses acontecimentos, senti que tudo havia desmoronado, não tinha mais a minha vida como era.  Eu estava sendo conduzida.  Perdi tudo no mesmo dia, a minha saúde e o meu serviço que eu gostava tanto, até o meu namorado que não soube compreender o problema, e que me conheceu cheia de vida, de repente me viu doente, careca e usando fraldas. Que situação! Comecei a ficar agressiva, eu que antes era calma e tranqüila, não discutia me vi totalmente descontrolada chorando sempre.

Tremendamente discursiva e emotiva. Enfim, eu era outra pessoa, quem era eu? O que aconteceu? de dinâmica fiquei lenta,  de calma fiquei agressiva,de 220 passei a ser menos que 110 eu que nunca havia passado um dia num hospital agora aos 46 anos eu  era uma deficiente física.

Eu tinha que me entender, para as pessoas me entendesse. Era muito difícil a cabeça ser 220 e o corpo menos que 110, chorava muito.

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Nelson:

Como aprendi lidar com as dificuldades

Foi ai que resolvi conversar com o meu neuro e pedir explicações a ele, como eu deveria proceder? Ele me encaminhou para uma avaliação neuropsicológica para ver a extensão do meu trauma cognitivo. Assim foi feito e foi constatado que tudo isso era devido ao meu cérebro ter sido afetado na parte frontal. E as minhas funções executivas estavam extremamente alteradas conforme avaliação neuropsicológica.

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Renata:

acho relevante destacar , que como não tive seqüelas aparentes ( não mancava,falava bem,fazia todos os movimentos,etc)  não percebi que precisava de ajuda profissional. Tinha a necessidade de contar para todos o que havia acontecido comigo e como estava triste , uma vez que não aparentava nada.

Senti muita raiva, e fazendo terapia com o grupo consegui  aprender a conviver com as minhas limitações.Levou um tempo para eu aceitar que precisava de uma agenda para lembrar dos meus compromissos, que precisava redobrar minha atenção para lembrar de algo importante.Com muita luta, determinação e ajuda dos profissionais do CPN  e do grupo  estou bem.

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por meucerebromudou

3 comentários em “percepção de que algo havia mudado

  1. Não consigo escrever pra você Fernanda..eu sobrinho sofreu um.acidente e está com lesao anoxal difusa .está em coma a 35 dias há 8 dias ele abriu os olhos mas não interage ou se comunica.os médicas diz eram que pode se coma vegetativo já que a lesao dele foi grave além disso ele teve atrofia cerebral 2 x pneumonia esta co traquiostomia.no.hospital que ele está não o estimulam estamos preocupados pois todos os médicos nos falam coisas ruins.e normal a pessoa acordar do coma e ficar com olho aberto sem reação? Estamos completamente perdidos pois os médicos não falam nada com nada cada dia e uma coisa nova que ele tem.por favor li muitos depoimento e cada pessoa e de um jeito.mas parece que meu sobrinho teve tudo que uma pessoa com lesao pode ter e agora eles falam em libera lo usando fraldas comm traquio. COmo e isso?no meu ponto de vista eles já desistiram estou correta?

    • Oi Renata, pelo tempo do seu post espero que seu sobrinho esteja avançado em relação ao tratamento. Em 09/06/2016 meu irmão sofreu um acidente de moto na rodovia e teve várias lesões no cérebro. Tudo ainda é novo e impreciso pra nós, mas temos recebido apoio da família e dos amigos dele, gente que nunca tínhamos visto hoje são ativos nas nossas vidas. Meu irmão passou 4 meses na UTI, foi para o home care nas mesmas condições descritas por você. Realmente fica essa sensação de que estamos sendo abandonados pela equipe médica, que também nos desorienta durante a internação pelas informações desencontradas e falta de tato em comunicar uma nova situação. Por outro lado, minha mãe sofreu muito com a falta de um cuidado mais assistido. Ficou em casa por 19 dias e agora está de volta à UTI pois a válvula instalada para drenar o líquor estava obstruída e por alguns dias ficará com um dreno até resultados de exames saírem para colocação de nova válvula. Estou aqui para entender quais serão os próximos passos e me fortalecer na esperança de sua recuperação. Estamos dispostos a enfrentar cada fase com resiliência, mas sabemos que muito dependerá da cabecinha dele, da forma com que vai encarar todas as situações. Confiamos em Deus para nos guiar e no apoio dos mais próximos para vencer. Gostaria muito de receber notícias do seu sobrinho. Bj

  2. Fiquei feliz em ter encontrado esse site por curiosidade,mas que me esta me ajudando muito,pois sofri um TCE em abril do ano passado e estou em recuperação.Espero minha recuperação total,com ajuda de Deus e de meus familiares.Foi bom contar c a ajuda de vocês.

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