Minha Recuperação

Alex C.P.;  Fernanda U.; Nelson V.; Sonia F; R. I. Antonio P. ; Renata

– Alex

Ainda tenho problemas com o convívio social, hoje, porém, bem menores que os de antes, aliás, os que sobraram são penas um reflexos dos anteriores. Para resolver esses problemas me utilizei de estratégias que fui criando e alterando com o tempo.

Antes, eu estava sempre querendo falar, conversar ou chamar atenção e não sabia a hora certa de fazê-lo, e isso só afastava os outros de mim, e, por querer fazer amizades e estar sempre acompanhado, tentava me reaproximar de quem se afastava, ainda agindo de forma incorreta e voltando a afasta-los, mais ainda.

Conclui o Ginásio sem amigos ou inimigos, cursei o Ensino Médio com altos e baixos e entrei na faculdade. No primeiro ano, imaginei estar indo pelo caminho certo, mas, no segundo vi que não estava, fui tirado do meu grupo de trabalhos pelos integrantes do grupo. Iniciei o ano com a ideia de formar um grupo individual, até que fui chamado por outro grupo para integrá-lo. Tudo bem, no início, mas com o tempo fui me sentindo excluído do grupo, minhas ideias não eram escutadas, no segundo semestre, inclusive, ao acrescentarmos duas novas integrantes no grupo, tudo piorou, apesar de eu ter apoiado a ideia de acrescentá-las no grupo e até ter ajudado-as a consegui-lo parecia que elas queriam me tirar do grupo ou que não iam com a minha cara. No fim daquele ano, um outro grupo me perguntou se eu não gostaria de trocar de grupo no ano seguinte e ir para o grupo deles, ÓTIMO, troquei de grupo sem precisar ser expulso, e, com certeza a relação minha com o novo grupo seria bem melhor, tanto pela aceitação e comportamento que eles aparentavam ter quanto pelo meu comportamento que estava bem melhor. Com certeza foi bem melhor com o grupo novo, aliás, está sendo, e não só com o grupo, com todos da sala, inclusive os que me expulsaram ou os que “não iam com a minha cara”, hoje eu consigo entrar em uma roda de conversa sem afastar ninguém, já não falo mais tantas coisas desnecessárias e os meus colegas de sala, inclusive os dos grupos que fiz parte antes, me ajudam ou me pedem ajuda quando necessário. Vi também que o problema de relacionamento não estava só comigo, neste ano os grupos dos quais eu fiz parte se “desmantelaram”, outros integrantes acabaram por sair pela insatisfação em trabalhar em grupo com aqueles grupos. Vi também que uma das garotas que o grupo do ano anterior havia inserido no grupo já fora problema em outros grupos, mas, isso não me fez acreditar que não havia problemas como meu comportameto, ainda bem, se não eu acabaria por regredir o meu progresso.

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Nelson Valente:

O retorno ao cotidiano com minhas limitações

Começou com a preocupação se eu iria andar novamente, o quanto incomodaria as pessoas pela dependência, etc. Porém, nunca perdi a esperança de retornar ao cotidiano.

Com o tempo e reabilitação, com profissionais capacitados minha família e muita determinação voltei a caminhar com segurança, mostrar os familiares que estava chegando a hora de deixar a superproteção. Após três anos de superação, tentei me inserir no mercado de trabalho, mas em serviços simples para avaliar minhas condições. Aproveitei também para retomar a faculdade no curso de Logística, mesmo com grande dificuldade em exatas, pois começava bem os cálculos e de repente um sinal ou número trocado (observação feita pelo meu professor de cálculo).

Comentando tal observação feita pelo professor ao neurologista, o mesmo indicou consulta ao neuropsicólogo.  Após avaliações, constatou-se mais uma seqüela do AVC: déficit de atenção e concentração. Tentei descobrir então, a melhor maneira de minimizar tais déficits, pois estavam afetando meu desempenho na faculdade. O primeiro método que tentei foi o da repetição. Após avaliações com neuropiscólogos, fui convidado pela Drª Anair Rodrigues e equipe, a participar do Grupo da Memória, onde aprendemos a compreender os locais do cérebro que foram afetados e seus sintomas.

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Fernanda:

A caminhada pra minha recuperação foi árdua, longa e precisou da ajuda não só dos profissionais, mas apoio intenso de toda minha família e amigos. Durante os primeiros meses, por 24 horas, tive ajuda dos meus pais, da minha irmã e da minha tia, pra comer, tomar banho, sentar, levantar, limpar curativos, trocar fraldas, etc. Sem ajuda deles não conseguiria uma boa recuperação. Minha família foi TUDO!

Além da intensa fisioterapia pulmonar e exercícios para voltar a andar e movimentar o braço esquerdo que eu já fazia desde a saída do hospital, iniciei em outubro de 2007 reabilitação fonoaudiológica e neuropsicológica, além de acompanhamento psicológico, entre outros. Desde o início usei anti-depressivos  que ajudaram a regularizar  melhor meu sono, humor, apetite, etc. Com muita ajuda da minha família (essencial para toda minha recuperação), amigos e profissionais, tive grandes  e notáveis melhoras, sempre muito comemoradas por todos ao meu redor.

Acho que um ponto positivo pra minha reabilitação foi e ainda é ter tido sempre muita noção das minhas limitações e ter decidido encontrar maneiras de enfrentá-las e não só reclamar de todas elas. A minha terapia psicológica e os medicamentos também foram fundamentais, além, é claro, do apoio de toda minha família e muitos amigos.

Hoje estou casada novamente com uma pessoa que me deixa feliz e também me ajuda muito a enfrentar as dificuldades, me dando apoio para que eu tenha uma rotina onde eu não me sinta tão excluída de uma vida que considero normal e comum pra uma pessoa da minha idade.

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sonia:

Com muita persistência e ajuda de profissionais, me dediquei a fisioterapia, fonoaudióloga e terapia ocupacional, as coisas foram melhorando gradativamente. Resolvi voltar a estudar fiz MBA  especialização  em gestão ambiental e com muita persistência consegui concluir o curso  .

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Renata:

Sempre tive muitos amigos e saía  muito também,era muito comunicativa e fazia amizades facilmente e até hoje me sinto diferente em relação a vida social.

Quando voltei  a trabalhar tive muitas dificuldades de lembrar as tarefas ,de assimilar , faltava concentração e sentia muito cansaço. Isso sem contar com a oscilação de humor.

Me afastei do trabalho novamente e tive uma depressão com surtos de raiva freqüentes. Nesse período fui apresentada ao CPN- Reab, lá iniciei com testes e percebi realmente que existia uma deficiência de atenção sustentada, concentração, memória recente e outros problemas cognitivos.

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por meucerebromudou