Os meus sentimentos após o aneurisma…

Os meus sentimentos após o aneurisma…
Quando eu, Sônia, comecei  a me conscientizar das limitações que fiquei após o aneurisma, sofri muito! Eu sofria não só por mim, mas também por todos meus familiares, principalmente meus pais, com quem sempre fui muito apegada. Eu me preocupava muito, chorava escondido, não queria  que ninguém percebesse o quanto eu sofria…
Eu pensava: “ meu Deus, eu que deveria está ajudando os meus pais na velhice deles e não eles me ajudando, não eles estarem passando por isso”… Eu não aguentava vê-los sofrendo. A minha mãe me deixava emocionada e muito sensibilizada. Ela me tinha como uma filha de seus sonhos e me deu muita força! Um dia, me lembro que ela falou no meu ouvido: “se eu pudesse, gostaria de estar aí no seu lugar!” Quando me via deprimida simplesmente dizia:
“A obra de Deus é completa, nunca pela metade”. “Se você chegou até aqui foi com a permissão Dele”. Eu me sentia fortalecida com o apoio da minha família e gostaria que todos soubessem o quão é importante  a família para o “nosso” restabelecimento…
Com o tempo, eu já tinha conhecimento que minha recuperação ia ser lenta e que eu teria que reconstruir uma “nova” vida “ponto a ponto”. Agora já sou mais consciente e fortalecida, mas sempre tive apoio de meus pais, familiares e amigos. Só tenho que dizer muito obrigada! Foi e ainda hoje é uma batalha onde cada conquista na minha recuperação, cada “degrau que subo”, “bato palmas”, rsrs…
No momento, me sinto 60% realizada, mas sou persistente. Sei que a batalha ainda não terminou. Penso que tenho uma missão a cumprir e que devo agradecer a oportunidade. Acho que devemos nos conscientizar que cada minuto que vivemos, não volta mais. Temos que olhar para frente e não ficar a vida toda nos lamentando.
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por meucerebromudou

Questionamentos importantes

Resolvemos colocar esse comentário e a resposta para ele por  acharmos que a indagação da sra. Maria Salete pode acontecer com muitos que tiveram uma lesão no cérebro. A Fernanda respondeu contando um pouco da sua experiência e acreditamos que seja interessante essa troca.

Comentário da Maria Salete

Meu nome é Maria Salete, e estou vivendo tudo isso que vc relatou Fernanda, minha filha sofreu o acidente em março de 2011, fazem 1 ano e 8 meses,, ela esta super independente fisicamente, nao precisa de mim pra nada.
Mas a memoria ainda esta mto vaga, as vezes lembra de algumas coisas que fez durante o dia , mas o dia todo ela nunca lembra, esta fazendo tratamento com uma neuropsicologa, faz hidroterapia, hidroginastica, e fisioterapia diaria….Mas ela esta mto irritada, tudo que pedimos pra ela fazer, como leitura e resumo de textos, ela fica mto irritada, diz que estamos tratando ela como uma retardada, que ela quer a vida dela de volta, que ficamos impondo coisas pra ela, mandando, e por ai vai, esta mto dificil, ela as vezes se recusa a ler, mas em seguida esquece que brigou e começa a ler e fica tudo bem com a gente, ate ela se irritar de novo, Eu estou mto cansada, pois cuido dela 24 por dia, acho que estamos nos fatigando uma da outra, Rs. Vc tambem ficava irritada com todas as informaçoes que jogavam pra vc?

Resposta ao Comentário da Maria Salete

Oi Maria Salete… Sou a Fernanda.
O acidente da sua filha é muito recente. Sei que é estranho dizer que 1 ano e 8 meses é pouco tempo… Mas posso te dizer, por experiência própria (rsrs) que é pouco tempo. Os médicos e terapeutas me falavam isso e eu achava muito “estranho”, mas hoje eu entendo. Muitas coisas ficaram um pouco mais fáceis pra mim depois de 2 ou 3 anos… Em janeiro vai fazer 6 anos que meu acidente aconteceu e ainda luto por melhoras diariamente…e pra mim, muitas vezes, parece que foi “ontem”.

Eu também ficava muito irritada com todos os tratamentos: fisioterapias diárias (3x/dia a respiratória e 1x/dia a muscular), fonoterapia, terapia ocupacional, hidroterapia, etc. e ainda (como a senhora disse da sua filha) irritada com tudo que me “mandavam” fazer: ler, tentar lembrar do que fez no dia, fazer palavra-cruzada, montar quebra-cabeça, e por aí vai….Não é fácil. Enquanto a “nossa” vida fica muito em função só de tratamento é muito exaustivo e irrita mesmo. Além disso, não podemos esquecer, que dependendo da lesão que ocorreu no cérebro, decorrente do acidente, é esperado uma maior irritabilidade, impulsividade, mais agressividade, etc. O que me ajudou muito nesses sintomas foi o uso de medicamentos e psicoterapia. Mas, isso depende de cada caso. Talvez a sua filha poderia procurar um médico (psiquiatra mais especializado nesta área) para ele avaliar se existe a necessidade ou não de um medicamento. Sei que ninguém gosta de tomar medicamento (ainda mais se ela já fez bastante uso na época do acidente), mas existem medicamentos que podem estabilizar o humor, diminuir a ansiedade e com isso, melhorar a qualidade de vida dela e consequentemente a da senhora, né? rsr

Hoje agradeço todas as ordens que me foram dadas na época, o excesso de “tarefas”, pois sei que isso foi fundamental para uma melhor recuperação. Eu ainda tinha o sofrimento das perdas (minha irmã e marido), meus pais também destruídos por essas perdas, morte de uma filha e me vendo naquela situação… Muitas vezes, eu fazia fisioterapia chorando, mas fazia, por insistência dos meus pais. Minha família foi TUDO pra mim (é né?). Mas hoje entendo mais que tudo deveria ter sido feito daquela forma..
Imagino que pra senhora não é nada fácil ver sua filha irritada, às vezes triste, frustrada, etc. Como já disse aqui, é muito difícil pra gente que sofre uma lesão no cérebro, que fica com a memória ruim e outras dificuldades, aceitar isso tudo. É natural que ocorra revolta, irritação, tristeza, questionamentos de “por que comigo?”… É uma mudança muito brusca na vida e além disso, muitas reações fogem do nosso controle pela própria lesão. No meu caso, eu até hoje uso medicamentos e faço terapia psicológica que me ajudam muito a ter uma qualidade de vida melhor, dentro do que é possível pra mim.
A frase que sua filha fala que quer a vida dela de volta depende do que ela quer dizer com isso, quais são as expectativas dela e o que foi prejudicado, qual a extensão da lesão, etc. Voltar como era antes, acho que não existe, até porque ninguém fica a mesma pessoa depois de um trauma desses. Muitas coisas mudam e muitas coisas podem mudar até pra melhor, depende do “nosso olhar” diante de tudo. Não é fácil, pois todos os dias é preciso lidar com as frustrações de não conseguir fazer coisas que antes eram fáceis ou não conseguir se lembrar de algo, etc.
Quanto à memória, não sei se a senhora leu um texto que eu escrevi aqui no Blog onde falo sobre o uso da agenda semanal, uma experiência que deu muito certo pra mim e ajudou na memória organização, planejamento. Talvez ajude a sua filha também.
Não sei se consegui te responder ou te ajudei, pois escrevo muito e me perco um pouco. Mas se não respondi, pode me escrever que conversamos de novo!
Espero que o Blog ajude vc e sua filha. Estaremos sempre tentando atualizá-lo com artigos, relatos, etc. Como a senhora ficou sabendo do Blog??? Quantos anos a sua filha tem????
Um grande abraço pra senhora sua filha

por meucerebromudou