Entendendo um pouco sobre a teoria da memória

Entendendo um pouco sobre a teoria da memória

Importante saber que a memória é uma combinação de subsistemas inter-relacionados que estão ligados e que interagem.

Um componente muito importante para a memória é Atenção.

Atençao: É um componente lógico de modelo de memória, é a capacidade para acessar a informação que chega. No nível mais fundamental está a vigilância e o despertar; nos níveis mais altos estão:

Atenção seletiva: Resistir a interferências, exemplo: Estar numa sala de aula, o foco é o  professor que está transmitindo informações, no entanto, paralelamente há pessoas na sala de aula conversando e ruídos fora da sala de aula, logo, tenho que inibir os estímulos que não são o alvo e selecionar o que realmente me interessa. Outro exemplo: ‘Em uma das aulas na qual participei , tinha um aluno que não parava de fazer um movimento com o lápis na carteira, como era difícil eu inibir esse estímulo, resolvi mudar de lugar’.

Atenção Alternada e Dividida: ‘atender concomitantemente a duas ou mais fontes de estimulação’, ‘Distribuir recursos atencionais’. Exemplo: ‘Quando estou tocando um instrumento musical ( gaita), tenho que ler a partitura ou me lembrar da música que estou tocando’. Outro exemplo: ‘Na sala de aula estou ouvindo o professor falando e  ao mesmo tempo anotando as informações relevantes’.

Atenção sustentada: manter a concentração ao longo do tempo. Exemplo manter se atento em uma aula de 40 minutos.

Estágios da Memória

  • Decodificação
  • Armazenamento
  • Recordação

Codificação: É a análise desempenhada do material a ser lembrado. Lembrar um material verbal depende da decodificação das características fonológicas, lembrar de uma informação visual depende de decodificação da representação gráfica. A informação que passa por uma análise com melhor detalhamento no processamento de decodificação terá a maior probabilidade de ser recordada do que a que foi superficialmente analisada, por exemplo: quando se usa a estratégia de categorizar uma informação.Exemplo relatado : Uma pessoa conversou com você, e contou acontecimentos e pensamentos dele. Enquanto você o está ouvindo, você está  ‘categorizando’ as informações, o que facilitará a recordação.

Armazenamento: É a transferência da memória transitória para uma retenção permanente. Importante saber que quando há dano do hipocampo ou em estruturas do lobo temporal pode haver uma decodificação bem sucedida, porém, podem não ser são capazes de mantê-las armazenadas.

 Recordação: É a procura ou ativação dos traços existentes de memória, ou seja recordar o que aprendemos.

Os participantes do blog fizeram um resumo de leitura do livro “ Barbára Wilson” ( 2003, International Neuropychological Society e marcaram como importante as informações acima.

 

 

 

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por meucerebromudou

Os meus sentimentos após o aneurisma…

Os meus sentimentos após o aneurisma…
Quando eu, Sônia, comecei  a me conscientizar das limitações que fiquei após o aneurisma, sofri muito! Eu sofria não só por mim, mas também por todos meus familiares, principalmente meus pais, com quem sempre fui muito apegada. Eu me preocupava muito, chorava escondido, não queria  que ninguém percebesse o quanto eu sofria…
Eu pensava: “ meu Deus, eu que deveria está ajudando os meus pais na velhice deles e não eles me ajudando, não eles estarem passando por isso”… Eu não aguentava vê-los sofrendo. A minha mãe me deixava emocionada e muito sensibilizada. Ela me tinha como uma filha de seus sonhos e me deu muita força! Um dia, me lembro que ela falou no meu ouvido: “se eu pudesse, gostaria de estar aí no seu lugar!” Quando me via deprimida simplesmente dizia:
“A obra de Deus é completa, nunca pela metade”. “Se você chegou até aqui foi com a permissão Dele”. Eu me sentia fortalecida com o apoio da minha família e gostaria que todos soubessem o quão é importante  a família para o “nosso” restabelecimento…
Com o tempo, eu já tinha conhecimento que minha recuperação ia ser lenta e que eu teria que reconstruir uma “nova” vida “ponto a ponto”. Agora já sou mais consciente e fortalecida, mas sempre tive apoio de meus pais, familiares e amigos. Só tenho que dizer muito obrigada! Foi e ainda hoje é uma batalha onde cada conquista na minha recuperação, cada “degrau que subo”, “bato palmas”, rsrs…
No momento, me sinto 60% realizada, mas sou persistente. Sei que a batalha ainda não terminou. Penso que tenho uma missão a cumprir e que devo agradecer a oportunidade. Acho que devemos nos conscientizar que cada minuto que vivemos, não volta mais. Temos que olhar para frente e não ficar a vida toda nos lamentando.
por meucerebromudou

Questionamentos importantes

Resolvemos colocar esse comentário e a resposta para ele por  acharmos que a indagação da sra. Maria Salete pode acontecer com muitos que tiveram uma lesão no cérebro. A Fernanda respondeu contando um pouco da sua experiência e acreditamos que seja interessante essa troca.

Comentário da Maria Salete

Meu nome é Maria Salete, e estou vivendo tudo isso que vc relatou Fernanda, minha filha sofreu o acidente em março de 2011, fazem 1 ano e 8 meses,, ela esta super independente fisicamente, nao precisa de mim pra nada.
Mas a memoria ainda esta mto vaga, as vezes lembra de algumas coisas que fez durante o dia , mas o dia todo ela nunca lembra, esta fazendo tratamento com uma neuropsicologa, faz hidroterapia, hidroginastica, e fisioterapia diaria….Mas ela esta mto irritada, tudo que pedimos pra ela fazer, como leitura e resumo de textos, ela fica mto irritada, diz que estamos tratando ela como uma retardada, que ela quer a vida dela de volta, que ficamos impondo coisas pra ela, mandando, e por ai vai, esta mto dificil, ela as vezes se recusa a ler, mas em seguida esquece que brigou e começa a ler e fica tudo bem com a gente, ate ela se irritar de novo, Eu estou mto cansada, pois cuido dela 24 por dia, acho que estamos nos fatigando uma da outra, Rs. Vc tambem ficava irritada com todas as informaçoes que jogavam pra vc?

Resposta ao Comentário da Maria Salete

Oi Maria Salete… Sou a Fernanda.
O acidente da sua filha é muito recente. Sei que é estranho dizer que 1 ano e 8 meses é pouco tempo… Mas posso te dizer, por experiência própria (rsrs) que é pouco tempo. Os médicos e terapeutas me falavam isso e eu achava muito “estranho”, mas hoje eu entendo. Muitas coisas ficaram um pouco mais fáceis pra mim depois de 2 ou 3 anos… Em janeiro vai fazer 6 anos que meu acidente aconteceu e ainda luto por melhoras diariamente…e pra mim, muitas vezes, parece que foi “ontem”.

Eu também ficava muito irritada com todos os tratamentos: fisioterapias diárias (3x/dia a respiratória e 1x/dia a muscular), fonoterapia, terapia ocupacional, hidroterapia, etc. e ainda (como a senhora disse da sua filha) irritada com tudo que me “mandavam” fazer: ler, tentar lembrar do que fez no dia, fazer palavra-cruzada, montar quebra-cabeça, e por aí vai….Não é fácil. Enquanto a “nossa” vida fica muito em função só de tratamento é muito exaustivo e irrita mesmo. Além disso, não podemos esquecer, que dependendo da lesão que ocorreu no cérebro, decorrente do acidente, é esperado uma maior irritabilidade, impulsividade, mais agressividade, etc. O que me ajudou muito nesses sintomas foi o uso de medicamentos e psicoterapia. Mas, isso depende de cada caso. Talvez a sua filha poderia procurar um médico (psiquiatra mais especializado nesta área) para ele avaliar se existe a necessidade ou não de um medicamento. Sei que ninguém gosta de tomar medicamento (ainda mais se ela já fez bastante uso na época do acidente), mas existem medicamentos que podem estabilizar o humor, diminuir a ansiedade e com isso, melhorar a qualidade de vida dela e consequentemente a da senhora, né? rsr

Hoje agradeço todas as ordens que me foram dadas na época, o excesso de “tarefas”, pois sei que isso foi fundamental para uma melhor recuperação. Eu ainda tinha o sofrimento das perdas (minha irmã e marido), meus pais também destruídos por essas perdas, morte de uma filha e me vendo naquela situação… Muitas vezes, eu fazia fisioterapia chorando, mas fazia, por insistência dos meus pais. Minha família foi TUDO pra mim (é né?). Mas hoje entendo mais que tudo deveria ter sido feito daquela forma..
Imagino que pra senhora não é nada fácil ver sua filha irritada, às vezes triste, frustrada, etc. Como já disse aqui, é muito difícil pra gente que sofre uma lesão no cérebro, que fica com a memória ruim e outras dificuldades, aceitar isso tudo. É natural que ocorra revolta, irritação, tristeza, questionamentos de “por que comigo?”… É uma mudança muito brusca na vida e além disso, muitas reações fogem do nosso controle pela própria lesão. No meu caso, eu até hoje uso medicamentos e faço terapia psicológica que me ajudam muito a ter uma qualidade de vida melhor, dentro do que é possível pra mim.
A frase que sua filha fala que quer a vida dela de volta depende do que ela quer dizer com isso, quais são as expectativas dela e o que foi prejudicado, qual a extensão da lesão, etc. Voltar como era antes, acho que não existe, até porque ninguém fica a mesma pessoa depois de um trauma desses. Muitas coisas mudam e muitas coisas podem mudar até pra melhor, depende do “nosso olhar” diante de tudo. Não é fácil, pois todos os dias é preciso lidar com as frustrações de não conseguir fazer coisas que antes eram fáceis ou não conseguir se lembrar de algo, etc.
Quanto à memória, não sei se a senhora leu um texto que eu escrevi aqui no Blog onde falo sobre o uso da agenda semanal, uma experiência que deu muito certo pra mim e ajudou na memória organização, planejamento. Talvez ajude a sua filha também.
Não sei se consegui te responder ou te ajudei, pois escrevo muito e me perco um pouco. Mas se não respondi, pode me escrever que conversamos de novo!
Espero que o Blog ajude vc e sua filha. Estaremos sempre tentando atualizá-lo com artigos, relatos, etc. Como a senhora ficou sabendo do Blog??? Quantos anos a sua filha tem????
Um grande abraço pra senhora sua filha

por meucerebromudou

Estratégias para lidar com os déficits de memória

No livro de “Barbara A. Wilson” (2003, International Neuropychological Society) foram citadas  44 estratégias as quais discutimos em grupo e escolhemos as estratégias que achamos mais funcionais para a pessoa que sofreu uma lesão no cérebro e ficou com a memória prejudicada.

Vale a pena dizer que muitos desses itens que citamos, nós do grupo, fazemos uso e temos certeza, na prática diária, que são muito úteis e até podemos dizer que imprescindíveis.

Importante ressaltar que embora pareçam estratégias fáceis de utilizar, depende de dedicação , disciplina e persistência, mas sabemos com certeza que podemos realizar.

A  ideia é que as estratégias façam parte do dia a dia da pessoa,  e passem a ficarem quase automatizadas ao longo do tempo. Sabemos que em muitos casos, não conseguiremos a ‘cura’ do funcionamento que está alterado, porém  devemos considerar o quão importante é aliviar o sofrimento no dia a dia  das pessoas com lesão e também do familiar.

Abaixo estão citados os itens referentes aos auxílios de memória e estratégias utilizadas por pessoas com lesão cerebral

1-     Listas

2-     Agenda para anotações e compromissos diários

3-     Pedidos a outras pessoas que o lembrem de algo

4-     Reconstituição mental

5-     Relógio despertador (para acordar)

6-     Objetos em lugar comum

7-     Anotações em lugares específicos

8-     Prática repetitiva

9-     Escrever na mão

10- Fazer associações

11- Relógio com data / alarme

12- Rotina diária

13- Diário

14- Relógio despertador / alarme

15- Imageamento visual

16- Rotina semanal

17- Caixa de comprimidos com dia / hora

18- Telefone celular

19- Gravador

20- Rimas

21- “Chunking “(técnica de agrupamento)

22- Orçamento doméstico (arquivamento)

23- Bolsa ou pasta organizada

 

O.B.S.: Num outro momento iremos exemplificar cada item, mas qualquer dúvida, podem perguntar que estaremos à disposição.

por meucerebromudou

Parar Pensar e Planejar (PPP): Aprendi muito com isso !!!

PPP 

            Parar, Pensar e Planejar antes de tomar uma atitude, eis aí uma estratégia para se comportar corretamente em qualquer lugar, com qualquer pessoa e em qualquer situação, independentemente de quem toma essa atitude, afinal, todos podem ser inadequados ao não corresponder a expectativas ou ao fazer o que não deve em determinado ambiente.

Tratarei aqui de explicar o meu caso: Sofri um acidente de carro aos 12 anos e, com isso acabei por bater a cabeça e sofrer um Traumatismo Craniano Encefálico (TCE) que provocou hemiparesia (déficit parcial da capacidade de executar movimentos voluntários em metade do corpo) e alterações cognitivas, as quais dificultavam, e talvez ainda dificultem um pouco, comportamentos adequados. Eu falava o que me vinha na cabeça na hora que o pensamento vinha, contava piadas “idiotas” achando que iam ser boas, sem pensar se eram adequadas, queria sempre chamar atenção e, enfim, o fazia da maneira incorreta. Demorou um pouco para eu perceber o quão inadequado era. Com o tempo comecei a perceber o quão errado era o que fazia ou falava, porém, só depois que já havia feito ou falado o que não devia. Não conseguia me controlar, o pensamento vinha à cabeça e, como uma alavanca, era lançado para fora de minha boca, cheguei até a usar minha lesão como desculpa, mas, cá pra nós, não é muito divertido ser conhecido como “O lesado”.

Conheci a estratégia PPP na reabilitação neuropsicológica e pude exercitá-la melhor na terapia em grupo, onde conheci pessoas que, como eu, também tiveram LCA (lesão cerebral adquirida) e que não se comportavam da mesma maneira inadequada que eu. Essa estratégia se baseia em Parar na hora que vem o pensamento, Pensar se o que pensou se adéqua ao ambiente e ao grupo a sua volta, e Planejar a maneira correta de executar tal pensamento para se saber se deve ou não fazê-lo e como fazê-lo.

Não foi fácil executar o PPP, pois eu era muito impulsivo e Parar antes de agir não era muito comum para mim. Sendo assim, após tentar algumas vezes e falhar consecutivamente, resolvi encontrar um meio termo, me calei. Resolvi que ficar calado seria a melhor alternativa inicio, pois, se conseguisse ficar quieto, conseguiria mais tarde pensar antes de falar. O efeito para com os outros não foi nenhum. Estava calado e queria falar somente se falassem comigo, mas, não queriam falar comigo, pois já imaginavam que se iniciassem uma conversa comigo não iriam conseguir me parar, afinal, a primeira impressão é a que fica. Para mudar, não bastava não fazer nada, tinha que mudar a “primeira impressão” e, para isso, tinha que agir sempre da maneira correta Parando antes de agir, Pensando na ação correta a fazer e Planejando a maneira apropriada de agir.

O resultado não é instantâneo, as pessoas custam a acreditar no que vêm uma ou duas vezes, preferem acreditar no que viram antes, sendo assim, procuro não insistir, tento não me sentir livre demais, sempre há restrições, só faço piadas se outro na conversa já tiver feito alguma outra, pois assim sei se será bem vinda e, ainda assim devo pensar um pouco se não serei inadequado com meu comentário. Agora sei que não preciso ser engraçado 24 horas/dia, a seriedade, muitas vezes, pode ser mais agradável.

Com o tempo o PPP vai se tornando automático, passa a não ser necessário pensar que se deve parar, pensar e planejar, mas o melhor é estar sempre com o PPP em mente para não se esquecer de praticá-lo.

Obs. Para escrever esse texto também foi necessário utilizar o PPP.

Ass: Alex Covino Pinto

por meucerebromudou

A importância de se usar uma agenda semanal. Uma experiência que deu certo!

Eu, Fernanda, sempre usei agenda para anotar meus compromissos, mas usava esporadicamente, pois tinha uma memória excelente e minha vida “andava” sem problemas, eu sempre cumpria com minhas responsabilidades, com meus afazeres, etc. Porém, após meu acidente e o traumatismo craniano grave que tive (lesão axonal difusa), fiquei com a atenção, memória e funções executivas tal como o planejamento, prejudicados.

Quando entrei no CPN para terapia neuropsicológica individual, fui orientada a usar uma AGENDA SEMANAL (aquela em que você abre e tem de segunda a domingo nas 2 páginas) para me organizar e lembrar dos meus compromissos. Comprei logo, mas no início não comecei a usá-la com frequência, pois até isso se tornar um hábito pode levar um tempo.

Por que estou falando disso no Blog?

Foi pedido pela Terapeuta do nosso grupo de memória, para eu escrever sobre a agenda porque realmente eu a uso todos os dias sem exceção e sempre tento convencer todos, que têm “dificuldades” parecidas com as minhas, em usá-la. A agenda semanal, sem exageros, mudou a minha vida depois da minha lesão cerebral.

Primeiro você deve escolher um horário do dia que você “funcione melhor” para poder escrever seus compromissos por exemplo, e tentar todos os dias olhar suas anotações e ver como está sua(s) semana(s) para conseguir se planejar melhor. Eu levo a minha agenda “enorme” todos os dias para onde quer que eu vá. Muitas amigas dão risada porque hoje está tudo cada vez mais informatizado e menor e é difícil entender quem não usa desses artifícios. Mas não me importo, pois sei do benefício da “enorme” agenda semanal na minha vida. E aliás, depois que se tem uma lesão grave no cérebro e as suas dificuldades não são tão perceptíveis para outras pessoas, como no meu caso, você tem que aprender a não se importar com a opinião de várias pessoas, rsrs. Até porque, é muito difícil as pessoas entenderem sem viver o problema. Ninguém tem culpa disso… Levo a agenda comigo porque tudo que lembro ou combino com as pessoas, eu abro a agenda e escrevo para garantir que não vou me esquecer. Escrevo TUDO mesmo, até coisas básicas que eu nunca escreveria antes, como por exemplo: lavar alguma coisa, arrumar mala para viajar, ligar pra alguma amiga que não falo há um tempo ou que sinto saudades, etc. Isso significa que se eu não escrever, por exemplo, que tenho que arrumar a mala tal dia, eu vou viajar sem mala? Ou, vou lembrar só no momento de sair de casa? A resposta é não.

A agenda vai ajudar você a se planejar melhor naquela semana ou até mesmo naquele dia de arrumar a mala para que tudo não fique corrido ou dê algo errado nos seus “planos”. Talvez você que esteja lendo, pense que isso é besteira ou exagero, mas pra quem tem lesão que causa dificuldades como as que citei acima, escrever na agenda, algo tão óbvio, ajuda sim e muito!

Logo que aconteceu meu acidente, quando voltei a falar mais, a andar novamente, enfim, quando os problemas físicos foram sendo aos poucos superados, as dificuldades minhas de linguagem foram sendo mais percebidas, até mesmo por mim, que demorei para percebê-las… E quando meu problema de memória ficou visível, lembro que meu pai ficava estimulando minha memória (sem saber talvez até da importância terapêutica de sua atitudes), me perguntando coisas do dia a dia que eu tinha feito, como, por exemplo, 3 horas depois do café da manhã, me perguntava o que eu tinha comido no café. No início, até me lembrar o que eu tinha falado no telefone era difícil. Mas gradativamente, com ajuda de profissionais, familiares e amigos, tudo foi ficando melhor. O que pensei em fazer também com a agenda? Pensei em usá-la para além de me organizar, me planejar e me lembrar dos compromissos, usá-la para ajudar na memória. E isso foi ótimo! Desde então, uso a agenda também como um “diário”, pois relato o que fiz durante o dia e isso me obriga a exercitar a memória sempre. Hoje já não são todos os dias que faço o relato diário, até porque, às vezes, quero testar minha memória e escrevo dois ou três dias depois. Às vezes dá certo, às vezes não me lembro de tudo, mas sempre quando estou com dificuldade, peço ajuda para o meu marido (que, no caso, é a única pessoa que mora comigo e sabe da minha rotina) me ajudar a lembrar algumas coisas que fiz ou que aconteceu naquele dia para eu tentar “puxar” na memória algo mais.

Outra dica importante para que o uso da agenda seja realmente eficaz é não esquecer de no mesmo dia ou no dia seguinte (dependendo da hora que você escolheu para olhar a agenda) “ticar” o que você conseguiu cumprir naquele dia e o que você não conseguiu, escrever para cumprir nos dias seguintes. Isso porque se você não transfere o compromisso que não foi cumprido de maneira escrita na agenda para outro dia, a probabilidade dele não ser realizado e ser esquecido por você é quase 100%. Então, evite problemas de uma maneira simples porque depois que isso se tornar um hábito, você vai ver que não vai tomar tempo nenhum fazer isso e, com certeza, vai ser muito mais fácil, prático e menos estressante do que o transtorno de não lembrar de fazer algo.

Outra coisa que muda com a maioria dos que sofrem lesão deste tipo, é que a falta de atenção e memória, a dificuldade na organização e planejamento gera um desgaste físico e emocional muito grande. A gente se cansa muito mais para fazer a mesma tarefa que antes poderia até passar despercebida. E o uso da agenda ajuda, pois você tendo noção de como está sua semana, você também pode se planejar e não fazer muitas coisas no mesmo dia e sim, dividir os compromissos, o que vai te deixar menos cansado(a) e menos frustrado(a) caso não tenha conseguido cumprir o que desejava, pois nossos desejos e necessidades não mudaram, mas a nossa “capacidade”mudou. Então, é muito importante aceitar isso, acima de tudo. Aceitar e reconhecer é o primeiro passo para tudo ficar mais fácil, não só na prática do dia a dia, mas emocionalmente também. Posso garantir, por experiência própria, que acordar num “belo dia” e perceber que você não é nada parecida com o que você era e que possui muito mais dificuldades que antes para determinada “função”, não é nem um pouco fácil…

Espero ter contribuído com algo que possa, de uma maneira muito simples e sem gasto nenhum, melhorar a sua vida, melhorando o seu dia a dia, seus afazeres, seu planejamento, enfim, sua qualidade de vida em geral. Se eu puder ajudar mais de alguma forma, estou à disposição aqui no Blog. Agradeço por você ter lido até aqui, afinal nunca soube escrever pouco…rsrs.

por meucerebromudou

Responda:- Questionário para familiares e pacientes: O que voce sabe sobre Lesão Cerebral Adquirida

O questionário a seguir foi elaborado pelos membros participantes  desse blog. Tem como objetivo saber se há questões  pertinentes que não são ou não foram respondidas na ocasião do acidente.

Questionário: o que você sabe sobre Lesão Cerebral Adquirida (LCA)

Nome:  ______________________________________________________________

Idade__________ escolaridade_______________ sexo______________

1. O que você entende por lesão cerebral adquirida ( LCA  ou lesão encefálica adquirida LEA) ?

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2. Você sabe o que é alteração cognitiva ?

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3. Você acha que uma pessoa pode ter dificuldades para estudar ou trabalhar após uma  LCA ?

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4. Você acha que uma pessoa pode mudar ‘o jeito de ser’ por causa de uma lesão cerebral adquirida ( LCA) ?

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5. O que você acha que faltou saber logo após a lesão ?

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6. Você ficou sabendo quais profissionais procurar para tratar as dificuldades cognitiva após a lesão?

_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________7. De qual forma você teve acesso aos conhecimentos sobre tratamentos após a saída do hospital?

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8.Você acha que teve dificuldades para perceber as alterações comportamentais e cognitivas no dia a dia do seu parente que sofreu LCA?  como isso aconteceu?

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9. Você acha que a pessoa que sofreu uma LCA pode retomar o trabalho e a vida acadêmica  como ?

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10. Você conhece os direitos de uma pessoa que sofreu uma LCA em relação ao mercado de trabalho por sistema de cota?

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11. O que você conhece sobre reabilitação neuropsicológica?

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12. Você acha que a comunidade em geral percebe as dificuldades de uma pessoa que sofreu uma LCA? O que poderia ser feito para informá-los?

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13. Você quer deixar aqui suas dúvidas sobre questões que ainda não ficaram claras para você?

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por meucerebromudou

O que eu gostaria que as pessoas entendessem

Fernanda:

Com o grupo do CPN principalmente, ao conviver com várias pessoas e várias histórias de vida, aprendi muitas coisas e por isso falo que o que eu mais gostaria que as pessoas entendessem é que não é fácil “PERDER A SI PRÓPRIO” como acontece com quem sofre uma lesão importante no cérebro. É diferente a pessoa que não consegue fazer algo da pessoa que sempre conseguiu e não consegue mais…. Ela tem algo com o que se comparar e se comparar a si mesmo e não conseguir realizar coisas que antes era natural e fácil, não é nada simples…Há grandes perdas nisso que envolve a VIDA da pessoa e muitas vezes até da família, interfere na rotina, nos sonhos, nas realizações, na auto-estima, etc.

Também seria bom que as pessoas entendessem que muitas vezes, algumas reações nossas, não muito “aceitas” pelos outros, fogem do nosso controle muito mais que antes…A compreensão e o não julgamento sempre ajudam.

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Sonia:

As pessoas me comparavam com que eu era antes, mas eu não conseguia ser mais como era antes, era difícil para mim e para outras pessoas compreenderem que eu havia “nascido de novo, praticamente outra pessoa”.

Gostaria que não me comparassem.

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por meucerebromudou

Como estou hoje

Fernanda:

Ainda permaneço com dificuldade principalmente de atenção, concentração e memória. Não tenho raciocínio rápido, leio com um pouco de lentidão, além de trocar algumas letras e números, mesmo lendo várias vezes. Meu raciocínio parece entrecortado…Fiquei também com grande labilidade de humor e alteração de sono, os quais “regulo” com uso de medicamentos. Me sinto extremamente cansada com qualquer atividade que exija mais atenção e concentração.

Hoje estou casada novamente com uma pessoa que me faz muito feliz e também me ajuda muito a enfrentar as dificuldades, me dando apoio para que eu tenha uma rotina onde eu não me sinta tão excluída de uma vida que considero normal e comum pra uma pessoa da minha idade.

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sonia:

Embora em aprendizado constante com Neuropsicólogo, Psiquiatra e Psicólogo, moro sozinha, cuido de tudo, contas, compras, etc.. Aprendi que, voltar a ser o que eu era antes, nunca mais, mas, que posso até mesmo ser melhor, aprendi a respeitar os meus limites e sinto-me mais feliz e com a alta estima elevada.

SOU FELIZ. Moro sozinha e vivo bem.

Hoje mesmo estando com peso alterado, me sinto bonita, estou feliz.

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Renata:

Depois de alguns percalços hoje estou trabalhando em vendas, dirijo, falo bastante, preparo relatórios e tenho plena consciência de minhas limitações. Utilizo de algumas estratégias como a agenda semanária,leitura em partes e  grifando com um marca texto, planejamento de tarefas para me ajudar no dia a dia.

Tive sorte de encontrar o CPN .Foi muito benéfico o convívio com o grupo e as trocas de experiências e amizades que fiz.

por meucerebromudou

Minha Recuperação

Alex C.P.;  Fernanda U.; Nelson V.; Sonia F; R. I. Antonio P. ; Renata

– Alex

Ainda tenho problemas com o convívio social, hoje, porém, bem menores que os de antes, aliás, os que sobraram são penas um reflexos dos anteriores. Para resolver esses problemas me utilizei de estratégias que fui criando e alterando com o tempo.

Antes, eu estava sempre querendo falar, conversar ou chamar atenção e não sabia a hora certa de fazê-lo, e isso só afastava os outros de mim, e, por querer fazer amizades e estar sempre acompanhado, tentava me reaproximar de quem se afastava, ainda agindo de forma incorreta e voltando a afasta-los, mais ainda.

Conclui o Ginásio sem amigos ou inimigos, cursei o Ensino Médio com altos e baixos e entrei na faculdade. No primeiro ano, imaginei estar indo pelo caminho certo, mas, no segundo vi que não estava, fui tirado do meu grupo de trabalhos pelos integrantes do grupo. Iniciei o ano com a ideia de formar um grupo individual, até que fui chamado por outro grupo para integrá-lo. Tudo bem, no início, mas com o tempo fui me sentindo excluído do grupo, minhas ideias não eram escutadas, no segundo semestre, inclusive, ao acrescentarmos duas novas integrantes no grupo, tudo piorou, apesar de eu ter apoiado a ideia de acrescentá-las no grupo e até ter ajudado-as a consegui-lo parecia que elas queriam me tirar do grupo ou que não iam com a minha cara. No fim daquele ano, um outro grupo me perguntou se eu não gostaria de trocar de grupo no ano seguinte e ir para o grupo deles, ÓTIMO, troquei de grupo sem precisar ser expulso, e, com certeza a relação minha com o novo grupo seria bem melhor, tanto pela aceitação e comportamento que eles aparentavam ter quanto pelo meu comportamento que estava bem melhor. Com certeza foi bem melhor com o grupo novo, aliás, está sendo, e não só com o grupo, com todos da sala, inclusive os que me expulsaram ou os que “não iam com a minha cara”, hoje eu consigo entrar em uma roda de conversa sem afastar ninguém, já não falo mais tantas coisas desnecessárias e os meus colegas de sala, inclusive os dos grupos que fiz parte antes, me ajudam ou me pedem ajuda quando necessário. Vi também que o problema de relacionamento não estava só comigo, neste ano os grupos dos quais eu fiz parte se “desmantelaram”, outros integrantes acabaram por sair pela insatisfação em trabalhar em grupo com aqueles grupos. Vi também que uma das garotas que o grupo do ano anterior havia inserido no grupo já fora problema em outros grupos, mas, isso não me fez acreditar que não havia problemas como meu comportameto, ainda bem, se não eu acabaria por regredir o meu progresso.

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Nelson Valente:

O retorno ao cotidiano com minhas limitações

Começou com a preocupação se eu iria andar novamente, o quanto incomodaria as pessoas pela dependência, etc. Porém, nunca perdi a esperança de retornar ao cotidiano.

Com o tempo e reabilitação, com profissionais capacitados minha família e muita determinação voltei a caminhar com segurança, mostrar os familiares que estava chegando a hora de deixar a superproteção. Após três anos de superação, tentei me inserir no mercado de trabalho, mas em serviços simples para avaliar minhas condições. Aproveitei também para retomar a faculdade no curso de Logística, mesmo com grande dificuldade em exatas, pois começava bem os cálculos e de repente um sinal ou número trocado (observação feita pelo meu professor de cálculo).

Comentando tal observação feita pelo professor ao neurologista, o mesmo indicou consulta ao neuropsicólogo.  Após avaliações, constatou-se mais uma seqüela do AVC: déficit de atenção e concentração. Tentei descobrir então, a melhor maneira de minimizar tais déficits, pois estavam afetando meu desempenho na faculdade. O primeiro método que tentei foi o da repetição. Após avaliações com neuropiscólogos, fui convidado pela Drª Anair Rodrigues e equipe, a participar do Grupo da Memória, onde aprendemos a compreender os locais do cérebro que foram afetados e seus sintomas.

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Fernanda:

A caminhada pra minha recuperação foi árdua, longa e precisou da ajuda não só dos profissionais, mas apoio intenso de toda minha família e amigos. Durante os primeiros meses, por 24 horas, tive ajuda dos meus pais, da minha irmã e da minha tia, pra comer, tomar banho, sentar, levantar, limpar curativos, trocar fraldas, etc. Sem ajuda deles não conseguiria uma boa recuperação. Minha família foi TUDO!

Além da intensa fisioterapia pulmonar e exercícios para voltar a andar e movimentar o braço esquerdo que eu já fazia desde a saída do hospital, iniciei em outubro de 2007 reabilitação fonoaudiológica e neuropsicológica, além de acompanhamento psicológico, entre outros. Desde o início usei anti-depressivos  que ajudaram a regularizar  melhor meu sono, humor, apetite, etc. Com muita ajuda da minha família (essencial para toda minha recuperação), amigos e profissionais, tive grandes  e notáveis melhoras, sempre muito comemoradas por todos ao meu redor.

Acho que um ponto positivo pra minha reabilitação foi e ainda é ter tido sempre muita noção das minhas limitações e ter decidido encontrar maneiras de enfrentá-las e não só reclamar de todas elas. A minha terapia psicológica e os medicamentos também foram fundamentais, além, é claro, do apoio de toda minha família e muitos amigos.

Hoje estou casada novamente com uma pessoa que me deixa feliz e também me ajuda muito a enfrentar as dificuldades, me dando apoio para que eu tenha uma rotina onde eu não me sinta tão excluída de uma vida que considero normal e comum pra uma pessoa da minha idade.

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sonia:

Com muita persistência e ajuda de profissionais, me dediquei a fisioterapia, fonoaudióloga e terapia ocupacional, as coisas foram melhorando gradativamente. Resolvi voltar a estudar fiz MBA  especialização  em gestão ambiental e com muita persistência consegui concluir o curso  .

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Renata:

Sempre tive muitos amigos e saía  muito também,era muito comunicativa e fazia amizades facilmente e até hoje me sinto diferente em relação a vida social.

Quando voltei  a trabalhar tive muitas dificuldades de lembrar as tarefas ,de assimilar , faltava concentração e sentia muito cansaço. Isso sem contar com a oscilação de humor.

Me afastei do trabalho novamente e tive uma depressão com surtos de raiva freqüentes. Nesse período fui apresentada ao CPN- Reab, lá iniciei com testes e percebi realmente que existia uma deficiência de atenção sustentada, concentração, memória recente e outros problemas cognitivos.

por meucerebromudou